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14ª edição do FIT-BH deixa sua marca em Belo Horizonte

Atualizado: 14 de Out de 2018

O FIT-BH chegou ao final de sua décima-quarta edição ontem, domingo, 23 de setembro. Ao longo de 11 dias, o Festival realizou 59 apresentações com trabalhos de doze países e oito estados brasileiros, fomentando o mercado de artes cênicas nacional e internacional, com o envolvimento de 280 artistas e 100 profissionais da cultura de Belo Horizonte.

Com o investimento de 3,4 milhões de reais, pela primeira vez na história do festival a escolha das produções cênicas esteve sob a curadoria de uma comissão eleita por meio de edital público. O conceito “corpos-dialetos”, proposto pelo olhar atento de Luciana Romagnolli, Grace Passô e Soraya Martins e mais três curadores-assistentes, lançou um olhar sobre as diásporas africanas e a cena nordestina, a partir da ampliação do sentido de teatro brasileiro contemporâneo, reunindo um conjunto de trabalhos nacionais e internacionais que fez seu percurso na contramão de uma arte eurocentrada e que aborda, entre outros temas, debates sobre gênero e questões étnico-raciais. Vale ressaltar que, até a última edição, a média histórica da Mostra Nacional era de 66% de espetáculos do Rio de Janeiro e São Paulo. Este ano, estes números se inverteram, com 66% de trabalhos advindos do Nordeste.

A Mostra Mineira trouxe ainda dez trabalhos também permeados pelo conceito de “corpos-dialetos”, atravessados por discussões estético-políticas semelhantes, e que foram selecionados por uma comissão paritária convidada, composta por membros da sociedade civil (Anderson Feliciano, Carolina Braga, Antônio Carlos Ferreira e Ângelo César Fernandes), e da administração pública (Fernanda Álvares Vidigal, Graziella de Souza Pereira, Márcio Emmanuel de Oliveira Moraes, Roza Maria Oliveira).

Além dos espetáculos, o Festival ofereceu ao público de Belo Horizonte uma programação com 49 atividades paralelas (ações reflexivas e atividades especiais), como workshops, sessões de leitura, mostra de cinema, rodada de negócios, entre outros, além de apresentações artísticas no Ponto de Encontro, localizado no Parque Municipal. O público estimado ao longo de onze dias do evento foi de 25 mil pessoas nas diferentes apresentações distribuídas em 37 pontos da capital mineira – sendo 10 obras apresentadas em espaços públicos, 10 em teatros e 17 em espaços alternativos.


Confira os espetáculos que marcaram a 14ª edição do FIT-BH:

Mostra Nacional: “A Gente Combinamos de Não Morrer” (PB), “A Invenção do Nordeste” (RN), “Assembleia Comum” (MG), “Batucada” (PI), “Chapeuzinho Vermelho” (RS), “Do Repente” (TO), “Isto é um Negro?” (SP), “Looping” (BA), “Merci beaucoup, blanco!” (BA), “Quaseilhas” (BA), incluindo dois trabalhos de Belo Horizonte – “Assembleia Comum” e a performance “Chorar os Filhos”, de Nina Caetano.

Mostra Internacional: “Arde brillante en los bosques de la noche” (Argentina), “Black Off (África do Sul/Suíça), “Ceci N’est Pas Noire” (Inglaterra/Bélgica/Zimbabue), “Donde Viven los Barbaros” (Chile), “Eve” (Escócia), “Libertação” (Portugal), “Simón, el Topo” (Peru), “Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas” (Portugal) e “Unwanted” (Ruanda/França).

Mostra Mineira: “Rua das Camélias” (Cia. Vórtica de Teatro), “Two Ladies” (Oh Ladies! Group), “Peixes” (Ana Régis), “Espécie” (Igor Leal – Beijo no seu Preconceito), “Fuck her” (Ludmilla Ramalho), “Deformação” (Priscila Rezende), “A Jagunça” (Insólita Companhia), “O Grito do Outro” – O Grito Meu! (Cia. Espaço Preto), “Sublime Travessia” (Dudude), “A Santa do Capital” (Cóccix Companhia Teatral)


Foto: Alexandre Guzanshe

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